INCRA Faz Cadastramento de Famílias Quilombolas de Volta Miúda e outras Comunidades do Extremo Sul da Bahia
Franedir Gois
08 de maio de 2026A Associação de Produtores Remanescentes Quilombolas de Volta Miúda (APRVM), em Caravelas, representa um pilar fundamental de resistência, preservação cultural e luta territorial no Extremo Sul da Bahia. Ela fortalece a agricultura familiar, promove a identidade quilombola e lidera a articulação entre comunidades da região, consolidando a conquista de direitos e a titulação de terras. Ao longo de 25 anos a Associação atua como um núcleo de resistência que assegura a dignidade, a autonomia e a cultura dos povos quilombolas na região. A comunidade comemorou a titulação do território em 2025. Certificação do Quilombo: O território foi certificado como remanescente de quilombo pela
Fundação Cultural Palmares (Portaria nº 26/2005) em 2005.
Imagens e vídeo de Jaco Galdino
A APRVM foi fundada em 2001, ganhou destaque e consolidou suas ações organizativas por volta de 2009, período em que os Encontros de Quilombos do Extremo Sul da Bahia começaram a ser realizados na comunidade, em Caravelas, Bahia. A auto-organização da comunidade é contínua, documentos indicam sua atuação ativa na recuperação da cultura e na luta territorial nesta época, celebrando conquistas anuais desde então.
Veja vídeos sobre a história da senzala de Volta Miúda
Principais Representações e Ações nesses 25 anos de história:
1 – Conquista e Resistência Territorial: A associação foi crucial na longa luta pela titulação do território, enfrentando desafios impostos pela expansão da monocultura de eucalipto que afeta as nascentes e a agricultura familiar.
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2 – Fortalecimento da Identidade: Atua na preservação da ancestralidade, tradições culturais, manifestações religiosas e modos de vida quilombolas.
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3 – Articulação Regional (Encontro de Quilombos): Desde 2009, a associação organiza o Encontro de Quilombos do Extremo Sul da Bahia (como o XIV Encontro em 2025 e encontro de quilombolas a partir de 2017), um evento central para reunir comunidades, promover debates sobre desenvolvimento sustentável, soberania alimentar e garantir direitos.
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4 – Direito à Consulta Prévia: A associação desenvolve protocolos de consulta prévia (em conjunto com a comunidade quilombola de Rio do Sul, Nova Viçosa) livre e informada, garantindo a participação da comunidade em decisões que afetam seu território, conforme a Convenção 169 da OIT.
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5 – Educação e Parcerias: Promove intercâmbios com instituições de ensino e pesquisa (como UFSB, UNEB, IF BAIANO, UFBA, EUA e JAMAICA, CONAQ, CRQ e PAA Quilombola) para fortalecer a educação, a pesquisa e a documentação da história quilombola.
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Veja matéria do g1 sobre o cadastramento das terras quilombolas na Bahia
TRF dá prazo de um ano para Incra concluir regularização de terras quilombolas na Bahia
Decisão atende à ação do MPF e prevê multa diária de R$ 500, caso o processo não seja finalizado no prazo.
Por g1 BA
04/05/2026 20h41
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) determinou que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) conclua, em até um ano, a regularização fundiária de terras de três comunidades quilombolas no interior da Bahia. Em caso de descumprimento, será aplicada multa diária de R$ 500.
A decisão é da 11ª Turma do tribunal e mantém a sentença da 1ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Vitória da Conquista.
A ação foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF) após constatar a demora do Incra em concluir o processo administrativo, iniciado em 2008, para reconhecimento e titulação das terras das comunidades de Ribeirão do Paneleiro, Batalha e Lagoa do Arroz, em Vitória da Conquista.
Ao analisar o caso, o relator, desembargador federal Newton Ramos, entendeu que ficou configurada a omissão do poder público. Segundo ele, não basta abrir o processo administrativo, sendo obrigação do Estado concluí-lo em prazo razoável.
O magistrado também afirmou que dificuldades administrativas não justificam a paralisação do procedimento por um período tão longo. Para o relator, não é aceitável usar limitações orçamentárias para impedir o exercício de direitos fundamentais, especialmente quando envolvem dignidade humana e identidade cultural de povos tradicionais.
Por fim, o colegiado considerou que o prazo de 12 meses e a multa aplicada são proporcionais ao caso. A decisão foi unânime.
Famílias quilombolas de seis municípios da Bahia são cadastradas
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (4), o Incra informou que iniciou ações de atualização e cadastramento de famílias quilombolas em comunidades do interior da Bahia. Os trabalhos seguem até 14 de maio de 2026 e envolvem 10 comunidades localizadas em seis municípios do estado.
De acordo com o órgão, duas equipes atuam no cadastramento das famílias na Plataforma de Governança Territorial (PGT). A expectativa é inserir os dados de pelo menos 1,4 mil famílias que vivem em territórios quilombolas que já tiveram os Relatórios Técnicos de Identificação e Delimitação (RTID) concluídos.
O objetivo da ação é identificar famílias remanescentes de quilombos aptas a integrar o Programa Nacional de Reforma Agrária (PNRA). Quem atender aos critérios poderá acessar políticas públicas executadas pelo Incra, como o Crédito Instalação.
As atividades ocorrem nos municípios de Nova Viçosa, Ibirapuã, Caravelas, Camamu, Ituberá e Taperoá, em áreas das regiões do baixo sul, litoral sul e extremo sul da Bahia. Os deslocamentos das equipes somam cerca de 1,5 mil quilômetros.
Os trabalhos começaram na comunidade quilombola Cândido Mariano, em Nova Viçosa, nos dias 29 e 30 de abril, com o cadastramento de 250 famílias. No mesmo município, também houve atendimento na comunidade Rio Sul.
Nesta segunda-feira (4), as equipes fizeram o cadastro de famílias da Vila Juazeiro, em Ibirapuã. Segundo o Incra, em seguida, os atendimentos seguem para Caravelas, nas comunidades Mota, na quarta-feira (6), e Volta Miúda, na quinta-feira (7).
Em Camamu, o cronograma prevê atendimentos nas comunidades Fôjo, Porto do Campo, Jetimana e Boa Vista, nos próximos dias 9, 10 e 11 de maio. A programação inclui ainda a comunidade Lagoa Santa, em Ituberá, no dia 13, e Graciosa, em Taperoá, no dia 14.