Joatan Conegundes de Araújo Expedicionário da II Guerra que Virou Seringueiro no Acre
Franedir Gois
24 de abril de 2026Joatan Conegundes de Araújo nasceu no Rio Grande do Norte, filho de agricultores que serviu as Forças Expedicionária do Brasil (FEB) na Segunda Guerra Mundial. Os expedicionários brasileiros (cerca de 25 mil) combateram na Europa entre 1944 e 1945, superando intempéries e batalhas, sendo um marco na história nacional. Joatan Conegundes veio parar no Acre, em Assis Brasil, onde trabalhou como seringueiro. Veja essa história bonita de 2021 quando ele ainda estava vivo
O fim dos expedicionários brasileiros após a Segunda Guerra Mundial foi marcado por um contraste gritante: enquanto a população os recebia com festas e desfiles heróicos, o governo brasileiro promoveu uma desmobilização rápida e um período de abandono institucional. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi oficialmente extinta em 1º de janeiro de 1946. Motivo Político: O governo de Getúlio Vargas temia o prestígio político dos pracinhas. Havia o receio de que soldados que lutaram contra ditaduras na Europa pudessem se opor ao regime autoritário do Estado Novo no Brasil. Retorno ao Status de Civil: Muitos soldados foram licenciados assim que desembarcaram, voltando a ser civis sem qualquer preparação para a reintegração social.
Diferente dos soldados americanos, que receberam amplo apoio do Estado, os brasileiros enfrentaram anos de esquecimento: Proibições: Veteranos chegaram a ser proibidos de usar seus uniformes e condecorações em público logo após o retorno. Falta de Amparo: Muitos passaram por dificuldades financeiras e psicológicas (traumas de guerra), sobrevivendo sem pensões adequadas ou assistência médica especializada por décadas. Conflitos nas Forças Armadas: Militares de carreira que foram para a guerra muitas vezes enfrentaram resistência de colegas que ficaram no Brasil, sofrendo boicotes em promoções e escalas de trabalho.
Período de Abandono aos Praças (1945 a 1960)
Baixa Imediata: Muitos pracinhas receberam baixa ainda no navio de volta e foram deixados à própria sorte para encontrar emprego e lidar com traumas psicológicos sem auxílio do Estado. Associações: Foi nesse cenário de negligência que os veteranos criaram associações (como a ANVFEB) não para festas, mas para exigir o cumprimento de promessas feitas antes do embarque.
Os Primeiros Benefícios (Anos 60 e 70)
Lei 4.242/63: Estabeleceu uma pensão especial para ex-combatentes que estivessem incapacitados ou sem meios de subsistência, no valor de um Segundo-Sargento. Lei 5.315/67: Definiu legalmente quem era considerado “ex-combatente”, facilitando o acesso a alguns direitos.
O Amparo Definitivo (Constituição de 1988)
O reconhecimento pleno só veio mais de 40 anos após o fim do conflito:
Pensão Especial: O Artigo 53 do ADCT da Constituição de 1988 garantiu a todo ex-combatente uma pensão especial equivalente ao soldo de um Segundo-Tenente das Forças Armadas. Assistência Médica: Garantiu assistência médica, hospitalar e educacional gratuita, inclusive para dependentes. Prioridade no Serviço Público: Direito à reserva de vagas ou aproveitamento em cargos públicos sem concurso em certas condições da época.
Hoje, os poucos pracinhas vivos (cerca de 40 em todo o Brasil) e suas viúvas ou herdeiros diretos possuem amparo legal robusto, regido principalmente pela Lei nº 8.059/1990, que regulamentou os direitos constitucionais de 88.
A sensação de falta de amparo vem do fato de que a geração que lutou passou a maior parte da vida adulta (dos anos 40 aos 80) sem esse suporte, que só chegou quando a maioria já estava na velhice.