Maria de Filó, Valdecy Cardoso São Guardiões da Folia de Reis de Vereda e Região
Franedir Gois
14 de abril de 2026
Franedir Gois/Riquezanossa
A história de Dona Maria Senhora de Jesus e de Valdecy Cardoso de Jesus, ambos líderes e feitores de cultura do município de Vereda, Bahia. Eles começaram há mais de 60 anos, mantendo uma tradição sobre a Folia de Reis no Extremo Sul da Bahia que é uma manifestação cultural e religiosa centenária, integrante do ciclo natalino, que celebra a visita dos 3 Reis Magos ao Menino Jesus. Organizada entre o Natal (24 de dezembro) e o Dia de Reis (6 de janeiro), chegando até a festividade de São Sebastião (20 de janeiro) unindo fé, devoção e folclore, sendo muito forte tanto nas áreas centrais, como interior. A Folia de Reis, portanto, fortalece o catolicismo ao tornar a fé uma experiência viva, alegre, itinerante e comunitária. A Folia de Reis, como manifestação do catolicismo popular, fortalece diversos aspectos da fé e da comunidade no Brasil. Ela atua como um elo entre a tradição bíblica e a vivência comunitária, destacando-se os seguintes pontos:
- Identidade e Pertencimento onde a tradição, passada de geração em geração, cria um forte sentimento de identidade e pertencimento, fortalecendo a união comunitária e o vínculo com a fé católica.
- Evangelização e Missão onde a Folia funciona como uma “Igreja em saída”, anunciando o nascimento de Jesus de porta em porta, o que reforça o caráter missionário católico.
- Vivência do Tempo Natalino que mostra peregrinação dos foliões, do Natal ao Dia de Reis (6 de janeiro), prolonga a celebração do nascimento de Jesus, mantendo viva a devoção aos três Reis Magos (Gaspar, Melchior e Baltazar).
- Fé Popular e Espiritualidade que fortalece a religiosidade popular através de orações, cantos e a visitação das casas, que é vista como um momento de bênção e fé.
- Cultura e Tradição – Além de sua função religiosa, a Folia preserva elementos culturais, como músicas, instrumentos típicos, vestimentas coloridas e as figuras da festividade, integrando-os à liturgia católica de forma popular. Lembrando que o município de Vereda é preponderante o catolicismo.
Veja a história que envolve fé, coragem, determinação e força de vontade. Dona Maria, carinhosamente conhecida como Maria de Filó, é mineira de Almenara, chegando em Vereda em 1945. Casada com Filismino José de Jesus, também de Almenara. Tiveram 18 filhos e cada ano nascia um filho. Um ano nascia um menino, no outro, uma menina, durante 18 anos.
A folia visa representar de maneira festiva e ritual a viagem dos reis magos, especialmente Melchior, Baltasar e Gaspar a cidade de Jerusalém. Na bíblia cristã essa viagem tem como intuito visitar, presentear e adorar o recém-nascido Jesus. A festividade é recheada de uma iconografia única, lotada de elementos religiosos e um trabalho artístico ímpar onde se sobressaem as bandeiras das folias, e o grupo de foliões.
Valdecy Cardoso de Araújo, baiano de Belmonte é figura particular dentro desse acervo cultural. Ele é o “mestre” e “embaixador” da folia. O mestre da folia é o responsável pela logística e organização da folia, além de ter um papel importante na manutenção da tradição. Ele é músico, é cantor dedicado a manter sempre viva a tradição há mais de 60 anos. Um homem guerreiro que junto com Dona Maria tiram dinheiro do bolso para não deixar morrer essa tradição centenária.
Em 2025 Dona Maria, Valdecy e companhia foram agraciados por um projeto de Lei da Câmara Municipal de Vereda, protagonizado pelos vereadores: Edio Lacerda e professor Cláudio Adão. Esse projeto os ajudou nas despesas e desenvolvimento nos trabalhos.
Desejo do Grupo
Nos relatos acima, tanto Dona Maria de Filó, como Valdecy, falam das dificuldades em manter a tradição, devido os tantos desafios de cada ano. A necessidade de crescer o Oratório que foi criado em 1962 e hoje está pequeno e é o lugar do comando dos festejos. Precisa de um banheiro e ajuda para os uniformes, pois cada ano cresce e fica mais difícil. Também é necessário ajuda para a alimentação, deslocamentos e outras necessidades.